segunda-feira, 30 de abril de 2007

Capítulo XI


- Espera. Dá-me tempo para me acalmar. Não estou habituado a estas emoções!

Marta olhava para ele ali, nervoso, assustado, mas havia mais alguma coisa. Algo que não batia certo. Marta, recém sabedora das suas capacidades, prestou atenção ao que sentiu. Ia falar com Mário quando o telemóvel tocou.

- Dr. Marta? Aqui fala a Inspectora Joana. Está recordada?

“Como podia esquecer”. Pensou Marta

- Sim, claro.

- Dr.Marta, lamento muito perturbá-la a esta hora mas o Inspector Mesquita pediu que viesse connosco a um local.

- Quem? Eu saí daí ainda há pouco.

- O Inspector Francisco Mesquita. Foi-lhe impossível estar presente na reunião que tivemos de tarde mas eu informei a doutora que o Inspector Mesquita é o responsável pela investigação.

- Isto não pode ficar para amanhã?

- Eu vou buscá-la a casa. É importante Dr. Marta. Existe a possibilidade de uma nova vitima.

Marta engoliu em seco. – Está bem. Fico à sua espera.




- A doutora que o nosso amigo nos indicou concordou em ir connosco.

O inspector Francisco riu-se.

- Porque não dizemos “Aqueles que não queremos mencionar”? Trate as pessoas pelo nome, Joana.

- Quem diria? A nossa própria Allison Dubois! Continuou Francisco.

- Como?

- A Allison Dubois, é da série Medium… deixe lá, esqueça.

O Inspector Francisco já se tinha habituado a que não percebessem as suas fantásticas, achava ele, tiradas. Francisco era um ávido leitor e um não menos ávido espectador de filmes e séries. Quem trabalhava com ele já não se admirava quando Francisco comentava ou comparava um crime ou outro assunto qualquer com frases, cenas e personagens fictícias.

Sendo um divorciado a chegar aos 35 anos, Francisco tinha o tempo fora da Judiciária só para si. Não era muito dado a saídas e viagens, a não ser que o destino fosse a casa dos pais, e como tal gastava o seu tempo naquilo que mais gostava, o mundo da ficção. “Preencher a mente com estas histórias ajuda-me a reconstruir os quebra-cabeças que nos aparecem”, costumava ele dizer.

- Ela não é médium – disse Joana – quer dizer, não sei! Sente as situações, o carácter das pessoas, se a estão a enganar. O professor pode explicar-te melhor.

- Meu Deus! O estrago que ela podia fazer na Assembleia da Republica!

- Chefe – riu-se Joana – isto é a sério!

- Mas eu estou a falar a sério. – piscou-lhe o olho – Ok. Vamos lá!



- Mas eu não posso voltar para casa! – disse Mário pela, pelo que pareceu a Marta, a centésima vez.

- Fala baixo. Eu não sou surda.

- Eu fico aqui à tua espera. Por favor Marta?

Já sem tempo para tentar chegar a qualquer outra solução, Marta concordou.



- Como está Doutora? Perguntou a Inspectora Joana já no interior do carro.

- Podia estar melhor. Este dia parece que não quer acabar!

- O Inspector Francisco foi directo para o local. Vai gostar dele. Já vi que a Doutora gosta de rir-se e ao Inspector humor é que não falta!

“Que bom.” Pensou Marta “Só me faltava um palhaço.”

- Estamos a dirigir-nos para o local da investigação? Eu pensava que não me iria envolver neste lado da questão.

- A situação mudou um bocado, complicou-se, e a possibilidade de uma quarta vitima acelerou o processo.

- Inspectora? O Dr. Pedro vai estar no local?

- De-Desculpe? Gagegou Joana.

- O Dr. Pedro Madureira?

- Ele já lá está.

Marta ficou aliviada. Uma cara que podia chamar de familiar.

- Doutora. É melhora avisá-la. A vitima. É, era – corrigiu Joana – a esposa do Doutor Madureira.

O resto do caminho fez-lo calada. “A esposa do Doutor Madureira”, como é que ela não percebeu que Pedro era casado. “Que raio de PES sou eu?”

Quando deu por ela já estava na casa de Pedro. A casa onde tinha estado dias antes. Olhou em volta da sala em busca de pistas que lhe pudessem ter dito a real situação de Pedro. Viu que não haviam fotos pessoais, apenas de paisagens e monumentos. Percebeu que a sala podia ser de qualquer pessoa, não havia lá nada que a identificasse como sendo de um homem solteiro ou casado. Apenas numa observação mais cuidada se perceberia que havia ali um casal.

Foi até quarto. Ao olhar para aquela cena Marta não pode deixar de sorrir. Todos de toucas e batas brancas, nada do ambiente de glamour e fatos Dolce&Gabana que se vê nos CSI.

- Não é como na TV, pois não.

A voz aveludada surgiu atrás dela. Mais uma vez Marta sorriu “deve ser outro PES”.

Marta virou-se, o seu olhar encontrou o olhos castanhos de Francisco. O olhar dele perturbou-a. Isso poderia ser um mau sinal mas naquele momento soube-lhe muito bem.

- Não, realmente não!

- Eu sou o Inspector Mesquita. Muito prazer. Mas deixe estar que eu não fico nada atrás de Horatio Cane!

- Também têm os óculos-de-sol?

Francisco não contava com a resposta mas ficou agradavelmente surpreendido.

- Claro! E até uma ou outra pérola de sabedoria.

Marta ia rir-se quando se apercebeu da presença de Pedro no quarto. A gargalhada calou-se.

18 comentários:

Laudinha disse...

Aqui está ele.

Em primeiro lugar quero agradecer os desejos de melhoras :D ainda não estou completamente fina mas para lá caminho :)

No meu capitulo não adiantei à narrativa. Mantive o ritmo calmo. Senti a necessidade de introduzir as personagens responsáveis pela investigação e neles veio o Inspector Francisco. Com ele tentei introduzir um bocado de humor, espero ter conseguído :p

Dizer que esta é a minha primeira experiência a escrever ficção por isso perdoem se houver erros de novato.

Beijinhos! Enjoy!

Conguitos disse...

Adorei a introdução do Inspector e do seu humor. Parabéns

Touro Zentado disse...

Muito bem Lau Lau! És bem prima de quem és! Hehehehe!
Gostei muito! Gostei do humor do Francisco! Acho que vai dar muito jeito!

Estou a ver que o Jaleco e o Rui não se chegam à frente... Hehehe!
Se até amanhã eles não se pronunciarem, e se vocês não se importarem, começamos a segunda rodada, o que significa que me toca a mim...

Estes dias tenho estado um bocado ausente do blog mas prometo que a partir de amanhã trato de tudo o que está em atraso.
Fiquem bem!

Ruuuuui! Jaleeeeeeco!

Pratas disse...

Olá Laudinha.

Espero que estejas melhor :)

Falando do que gostei mais no teu capítulo, adorei o humor e a quantidade de diálogo que existiu neste capítulo! Também gostei da forma que resolveste uma das premonições, de facto Pedro era mesmo o marido de Clara, logo existe menos uma questão para ser respondida. Começo a amar este conto que as pessoas estão a conseguir levar muito além.

O que acho que podes melhorar é talvez as "linkagens" entre cenas. Por exemplo, apesar de ter percebido todo o teu capítulo, por vezes tive que voltar um pouco atrás para perceber exactamente onde estava. (mesmo com os espaços que deixaste propositados para o efeito)

Obrigado pelo teu contributo, e espero que já estejas boa. ;)

Miss Alcor disse...

Laudinha adorei! Conseguiste um ritmo calmo, descontraido e no entanto fluido e encaixado. Adorei.
Acho que estamos realmente no bom caminho.
Espero que já estejas melhor. Põe-te fina! E obrigada por apesar de não te encontrares nos melhores dias, ainda teres tido tempo para o história!

astuto disse...

Laudinha, ainda bem que estás melhor de saúde. Deste um bom contributo ao conto. Pouca narração e muito diálogo que torna a leitura agradável. Gostei particularmente da ironia. Ficou-me esta:

«-Ela não é médium – disse Joana – quer dizer, não sei! Sente as situações, o carácter das pessoas, se a estão a enganar. O professor pode explicar-te melhor.

- Meu Deus! O estrago que ela podia fazer na Assembleia da Republica!»

Cumprimentos!

Eduardo Ramos disse...

Mas estou tão contente, tão contente!
Estou aos pulinhos!
Lindo, Laudinha.
Finalmente um capitulo que não acaba com "ses"...
Parecia manteiga em faca quente!
Cuidadoso sem atrapalhações.
Vamos entrar em ritmo de cruzeiro e arrumar com o arrufo do início quando tudo se precipitou.
Temos ainda mais de 100 pressupostos capítulos pela frente!

Touro!
Se não se chegam à frente... ARRANCA!

Epa! Afinal tenho um "SE".
Como Marta vai reagir quando se deparar com algo que ainda não sabe controlar!
Francisco tem capacidade para fazer de "guia"?

Adorei a do "... palhaço".
O humor dá sempre um ar mais "leve", desde que não usado como "pano do chão",- limpa e lava tudo, e acaba por cheirar mal.

Muito bem Laudinha!

Nelson Favas disse...

:)

Laudinha disse...

Obrigado Pessoal.

Deve confessar, como cheguei a dizer ao Touro Zentado, que estava com muito receio de defraudar o bom nível do conto. Nunca tinha escrito ficção e foi andar para a frente com coragem :)

Ainda bem que gostaram... deixa-me muito contente :D

nathaliapessoa disse...

Gostei muito de estar mais parecido com uma série...hehehe. Até imaginei a Allison a entrar nas cenas de crime! :o) Parabéns, Cláudia!

Jaleco disse...

Eh pa, lamento imenso...mas vocês tão c/ uma pedalada descomunal!!! Eu ainda nem postei o meu 1º texto no blog da minha mana e a verdade é q ando num stress q ñ permite uma concentração elevada!!! Mas vou tentar avançar em breve!!!

Phantom disse...

Quais erros de "novato"? Está muito bom mesmo :o) Suponho que sejamos todos iniciantes nisto da escrita de ficção. Mas está a sair algo muito interessante e bem elaborado. Também gostei bastante da nossa nova personagem, o Madureira, ainda por cima com tendências humurísticas, eheh.
Agora que fizeste o capítulo a seguir ao meu, é engraçado ver a continuação que lhe deste :o) Gostei!
Ah, e espero que já estejas bem.
Agora aguardo anciosamente o novo capítulo...;o)

Papagaio da Suica disse...

Gostei e ja tou viciado queromais.

espero novidades. abrc


M.O

Canochinha disse...

Em primeiro lugar, estou a gostar da história, apesar de não ser propriamente fácil de seguir, por causa de nomes e por causa da variedade de acontecimentos... Mas julgo que isso é normal numa história escrita a várias "vozes".
Depois, queria fazer uma sugestão: acho que podiam definir um tamanho para cada parte do conto, como por exemplo número de linhas ou palavras. É só porque há capítulos muito maiores que outros e julgo que ficaria melhor se tivessem mais ou menos todos o mesmo tamanho.

Continuem assim que estão a ir bem!
Beijos
Canochinha

Mãe do Vinho disse...

convido-vos a visitar o blog bolanamesa.blogspot.com
cump.

Eduardo Ramos disse...

Canochina!
O céu é o limite.
Claro! Com peso e medida e o que a nossa imaginação o consiga, mas não muito.

Como é? o Próximo capitulo arranca ou não?
Touro. Toma as rédeas nisto se-fáz-favô!

Corduroy disse...

Boa Laudinha. Gostei muito!!!Sempre a nivelar isto por cima, muito bem!!!

tonsdeazul disse...

Este capítulo está delicioso! A entrada do inspector trouxe ar fresco e mais alguma comicidade aos diálogos. Gostei especialmente do final.