sábado, 21 de abril de 2007

Capítulo VI

Pedro atende o telefone e é recebido com tensão por parte de seu amigo Bernardo Teixeira.

-O que disseste à Marta? diz Bernardo em tom autoritário, sua voz fraqueja em nervosismo.
-Então pah que maneiras são essas!? Apenas lhe transmiti o que tinhamos combinado.
-Porra mas tens mesmo a certeza disso?
Recebi um telefonema peculiar da Marta e desde então não a consigo contactar se pudesses descobrir o seu paradeiro era muito importante.
Sabes o que isto tudo pode provocar não sabes?
-Sei sim Bernardo mas não te preocupes vou encontra-la e ter uma conversa com ela.

Após o telefonema de Bernardo, Pedro não conseguiu disfarçar a sua inquietação perante o desaparecimento de Marta.
Desde que a vira sua vontade de a ter crescia a cada dia, gostava dela e ele o sabia.
Pedro era conhecido por amar muitas mulheres mas aquela era especial, diferente a seus olhos, ele não a queria como mais uma amante ele queria-a para si, apenas sua.
Medo e tristeza invadiram logo seu coração pois temia que Marta estivesse metida em sarilhos.
O silêncio acusador remete para a caixa de cartão pousado em cima da mesa, era ali que estavam as provas.
Entre o vermelho viscoso do seu sangue que fervilhava em suas veias e o terapêutico som da sua voz, preferiu estar calado.
O silêncio fica-lhe bem dá-lhe asas, e ocasionalmente, desinquieta a alma, por isso parou.
Seu corpo pesado de sentimentos caiu no sofá e sua cabeça pesada de consciências asfixiantes sentiu a almofada e parou para pensar.
"Onde estaria Marta, o porquê do seu desaparecimento, será que ela o olhava como ele desejava" todos estes pensamentos flutuavam na mente de Pedro.
Recordava a suavidade de sua pele, o jeito engraçado como mordiscava o lábio devido ao nervosismo, os seus lábios, os lábios que tanto desejava beijar...
Pedro enlouquecia por tanto a querer e não poder.

Decidido a encontrar Marta vai até sua casa e para seu espanto ela abre a porta, tinha evitado falar com Bernardo pois suas realidades tinham sido destruídas naquele almoço acompanhado a bacalhau.

-Entra. disse ela fitando-o seriamente para tentar desvendar as suas intenções com a visita inesperada.
Queres tomar algo?
-Não, estou bem. Porque não atendes as chamadas estás a evitar-me?
-Sabes que fiquei chocada com o que descobri. Como me esconderam isto?!
-Marta compreende as oportunidades surgem e existe uma rede poderosa por trás disto tudo.
-Não tinham o direito...
-Pois não, mas o Bernardo caiu na rede.
-Mostra-me a caixa!
-Está em minha casa acompanhas-me e mostro-te.

Então assim juntos rumaram até casa de Pedro.

Dentro da caixa estava um envelope amarrotado dentro desse envelope documentos e contas da netcabo eram protegidas por secretismo.
Marta as olhou e tristemente pediu a Pedro que lhe contasse como tudo acontecera.
Calmamente Pedro se sentou no sofá e respirou fundo, olhou para Marta e iniciou a explicação.

-Há quase 5anos que Bernardo Teixeira tinha tido problemas com o jogo, era viciado e precisava de dinheiro fácil para alimentar seu vício e que melhor maneira de o fazer do que se envolver em negócios ilícitos.
Bernardo Teixeira tinha um primo na Amadora que conhecia um grande senhor da máfia cigana que lhe iria permitir ganhar o tal dinheiro desejado então começou a entrar em esquemas e a importar e exportar mercadoria manhosa.
Bernardo Teixeira envolveu-se numa rede de ciganos que vendiam dvd's e cd's gravados e ajudava a colocar as mercadorias nas melhores feiras de Portugal, tendo sede em Carcavelos.
Posteriormente a rede mafiosa de ciganos vendedores de cd's aliou-se a um grupo de rebeldes marroquinos que vendiam flores em bares tornando-os mais fortes, por isso Bernardo nunca conseguiu sair da rede Marta.
Percebes?
Se tentasse sair seria morto ou pior, obrigado a vender "tápêtxi" ou "frôr" pelas ruas durante o resto da sua vida!!

Entretanto o telefone de Pedro toca e é Bernardo do outro lado.
-Pedro! Ajuda-me eles descobriram! (ouve-se um barulho ensurdecedor e a chamada cai)

19 comentários:

Paulo disse...

Bom, agora temos um problema: temos dois capítulos VI...

Corduroy disse...

Esta muito vem bem escrito e imaginado. Eu quando deixei o meu capítulo com o telefonema de Bernardo, fiz com a intuição de que quem fosse a escrever o próximo capitulo, iria incidi-lo sobre a combinação do tal almoço entre Pedro e Marta, mas tu já escreveste e mt bem sobre um cenário posterior. Parabéns. Isto esta ficar muito Tarantino como disse o Eduardo.

P.S. - o pormenor do "tapêtxi" e da "frôr" é delicioso... veio dar uma certa comédia a esta intriga.

Miss Alcor disse...

Adorei!
A intriga está cada vez mais apertada e deliciosa! Quero ver os desenvolvimentos nos próximos capítulos!
Parabéns! ;)

Touro Zentado disse...

Mais um capítulo, mais denso fica o argumento! É bom! Hehehe!
Próximo!!!

Maria Strüder disse...

Obrigado confesso que me foi custoso porque não é nada o meu estilo de escrita mas fiz um esforçozito para dar uma certa piada ao nosso conto porque o achei sério demais e assim deixo em aberto a possibilidade do humor continuar a evoluir.

Até a paixão de Pedro poderá se tornar em trama ou numa linda história de amor fica ao critério dos próximos "postadores".

Beijinho e obrigado mas o mérito vai todo para quem criou cabeça tronco e membros no nosso conto.

nathaliapessoa disse...

Gostei :o) Só esperava que a imaginação da Struder fosse mais o tipo maníaco do "meu" (ou nosso)César!

astuto disse...

O Corduroy e a Maria Strüder deram um importante contributo à trama. O conto, por esta altura, está bastante complexo, ramificado...

Foi pena terem lançado 3 capítulos em menos de 24 horas... Estão com uma pressa? Ninguém rouba a vossa vez. Eu acho que se deveria aguardar pela postagem do capítulo precedente ao nosso para podermos escrevê-lo, reflectir e dar uma sequência mais lógica ao conto. Porque não esperar um ou dois dias para lançar os capítulos para criar suspense e deixar-nos assimilar bem cada capítulo: comentar e discutir o desenvolvimento do conto.

A escala é esta para os próximos capítulos?

Eduardo Ramos - VII
Pratas - VIII
Astuto (eu próprio) - IX

Cumprimentos.

Paulo disse...

Concordo com o astuto... a pressa é inimiga da perfeição... não tenham pressa! Assimilem bem o capítula anterior :)

Touro Zentado disse...

Grande Astuto... Fizeste juz ao nome...

Corduroy disse...

Tb concordo com o que disseste Astuto. Em relação ao meu capitulo (V) eu apenas tentei dar algum relevo á personagem do Pedro para que ele próprio entre e seja um dos personagens principais deste conto. Apenas deixei em aberto o telefonema...

Touro Zentado disse...

Ainda no seguimento do que disse o Astuto... Eu acho que não devia haver mais de um capítulo por dia... Isto sem querer dizer que todos os dias deve haver um...

Eu estou a gostar da história mas estou mais inclinado para desenvolver o ramo dos locutores da rádio... sem romance convencional... Hehehe!

Maria Ostra disse...

Uau! Que enredo! :))
Muito bem, muito bem!

Eduardo Ramos disse...

Muito bem!
É a minha vez!
Pessoal! Tenham calma!
Não anda ninguém a morder-lhes os pés! Façam o texto. voltem a ler. Sejam auto críticos, melhorem-no e não "postem" logo a primeira coisa que lhes vem à cabeça!
Vamos ver se estou à altura dos que já escreveram.
Amanhã tenho um aniversário e pode acontecer que não faça o post.
Mas tenham calma.
Vou rever todos os personagens. Tentar cruzar ideias para não deixar alguma coisa para trás e não acabarmos num buraco de onde não conseguimos sair sem que tenhamos de matar todos os personagens!
OK! Aqui vou eu!
;)

Touro Zentado disse...

Eduardo... Gostei da atitude...
Com calma, com tempo e com cabeça... É assim mesmo!
Boa criação! Boa escrita!

Phantom disse...

Isto está cada vez mais interessante. O pessoal está entusiasmado :o)

Nelson Favas disse...

:)

tonsdeazul disse...

Eheheh
A trama até toca na comicidade. Está cada vez melhor. Finalmente chegamos à conversa do almoço com sabor a bacalhau. :)
Tenho de ir, pois a minha curiosidade aumenta

Jasmim disse...

Olá!

Descobri por acaso o vosso conto e estou a gostar muito, estão todos de parabéns!
Sobre este capítulo, gostei muito da forma como está escrito, só acho é que é um pouquinho precipitado nalgumas partes, uma vez que acaba por desvendar muito do segredo do Bernardo Teixeira. O enorme interesse do Pedro pela Marta também é surpreendente, após tê-la visto apenas uma vez...Mas volto a dizer que gostei bastante. Parabéns!

Eileen disse...

Olham, eu não me tinha apercebido de que isto estava a ser escrito a várias mãos, mas achei que já perdeu um bocado de qualidade... desculpem-me a sinceridade.